quarta-feira, 31 de agosto de 2011

E agora Zé?

Rio de janeiro, 31 de agosto de 2011.


Querido irmão!
 Por que teve que ser assim? A gente tinha combinado de ficar sempre juntos, mas a vida nos deu uma rasteira e você partiu. Aliás, as partidas sempre foram uma constante em minha vida, mas a sua ficou cravada em mim a ferro e fogo. Como acordar de manhã sem a tua presença? Como seguir em frente sem você? Nosso convívio foi intenso, feliz e coroado de verdade. O seu carinho, o seu abraço, a sua voz doce sempre me impulsionando, me valorizando, me fazendo acreditar que era capaz de tudo. Eu bem que queria ter a sua força, a sua coragem de homem menino, que adorava dar risada de tudo e me dizia: "não tenha medo querida! a vida é puro risco." Você não tinha medo. Manteve a serenidade até diante da morte. Nunca vou esquecer. Sabe querido,  tem tantas coisas que queria compartilhar com você hoje. Ainda, muitas vezes quando acordo de madrugada, penso em ti e no que dizias..."pode me ligar a qualquer hora... vou sempre poder falar contigo minha fofinha." Que falta me faz esta possibilidade. Poder dividir a vida, os sentimentos, os anseios e tudo o mais que habita minha cabeça torta que tu conhecias como ninguém. Amparo, esta palavra define você. Sempre atento às minhas necessidades emocionais, sempre capaz de me compreender. Nunca julgava. As suas mãos estavam sempre ali ao meu alcance. Foi (é) extremamente difícil ficar sem você.
O irmão mais querido, o irmão mais irmão, mais amigo. O seu amor me sustenta até hoje. Ele me fez quem sou e tenho um tremendo orgulho disso. Por falar em orgulho... nossa Zé, o teu sobrinho Gabriel que  tanto amavas, terias muito orgulho dele. Quando ele era bebezinho e chorava você me dizia: "não acode ele agora não... espera. Deixe ele chorar um pouco. Tem que frustar pra que ele possa ser feliz quando crescer." Então, eu segui seus conselhos de sábio e hoje ele nem parece ser filho único. Foi muito bem frustrado e dá conta da própria vida numa boa. Ah, e o que você falou sobre o apartamento da Silva Castro? "Nunca venda. Meu sobrinho vai crescer, vir estudar no Rio e morar aqui."
Pois então meu profeta, aconteceu exatamente assim. Hoje ele mora lá, onde você viveu até o fim e diz ter muito orgulho do tio Zé. As vezes eu pergunto se ele não quer morar num outro lugar maior e ele diz: "Não Mãe, eu sou muito feliz aqui!"
Ah Zé, que amigos fantásticos vocês dois seriam...palavras do próprio Gabriel.
Outras coisas que você profetizou também já estão aqui no pedaço, tipo: compras sem sair de casa, cartões magnéticos que abrem portas, Tvs que penduramos na parede feito quadros e etc...
Os quadros que trouxestes de Salvador estão comigo, lá em Friburgo e o que você pintou também. Nossa! tem tantas coisas que foram tuas comigo e que não poderia enumerá-las aqui agora.
Quando sinto muita saudade, releio suas cartas, brinco com alguns mimos que você me deu. Mas tem horas que só mesmo a tua presença poderia preencher minh'alma. Você foi parte de mim e não tem um dia sequer que eu não pense em você. Dizem que as pessoas são esquecidas depois que partem desta vida e de fato acontece com a maioria. Mas não com o Zé... Os amigos em comum sempre relembram com saudade, com um sorriso no rosto e dizem: "grande Zé!"
O Malvino, que não te conheceu, te conhece bem de tudo que já falei de você pra ele - e assim como todos os que te conheceram - gosta muito de ti. Você ia gostar muito dele também... um homem ímpar que está ao meu lado desde 97. 
Pois é... 18 anos que você partiu. Se fosse hoje, não teria acontecido. Ainda não descobriram uma cura pra AIDS, mas já é possível viver com a doença e ter uma vida normal. Sabe, acontece uma coisa curiosa. Eu sempre sonho contigo e nos meus sonhos você é um ser ressuscitado e sem mácula, como se nunca tivesse ficado doente: lindo, feliz e morando na Barata Ribeiro. A gente sempre se encontra lá e o seu telefone ainda é o mesmo... 2362129, e no sonho querido, eu posso sempre ligar pra você. Zé, o meu amor continua aqui. Vai estar sempre comigo. Pra sempre. Porque viver me remete a você. Tudo que aprendi foi com você. O gosto pela beleza, o senso estético, o bem querer ao próximo, a ética, a verdade acima de tudo. Lembra de você me ensinando a falar sem o sotaque do sul quando cheguei no Rio? Que sarro era aquilo! E o "bicudo"? Que riqueza nossa história.
Obrigada meu irmão querido. Você me deu tudo que um pai daria e muito mais.
Me deu o amor incondicional tão vital para uma pessoa se tornar ser humano.
Esteja certo que se não fosse por você, a Norma não existiria.
Até um dia... nas estrelas.
Com o mais puro amor da sua irmãmiga pra sempre...  ;D




Olha você na praia aos 22 anos! êita!!!

E esta felicidade toda em Salvador...

Esta foi lá no MAM...como a gente brincava de eco...eco...eco...

Uma de nossas muitas risadas juntos.

 Em Saquarema. Anos de sonho que vivemos por lá.

Do jeito que eu mais gostava, abracadinha com você.

Minhas pequenas grandes lembranças...


Fotos, pedrinhas, conchinhas...

E as cartas que de tanto lê-las, as sei de cor.
***



E a letra, que sem saber, Kleiton e Kledir fizeram pra nós!
Vamos ouvi-la?


Muita luz.

Bjos, :*)  :*)  :*)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Viagem

Penso que o responsável pelo meu gosto musical foi meu irmão Zé. Sempre o chamei assim, achava gostoso demais. Quando meu pai morreu, eu tinha 5 anos e morava em Maringá, minha cidade natal. Depois do acontecido, meu irmão Zé, que morava já há algum tempo no Rio de Janeiro, nos "adotou", e viemos todos morar aqui, minha Mãe, Marina, Miguel e euzinha pequenininha. Então ele se tornou a figura masculina de referência em minha vida, fazendo muito bem o papel de pai. Só que um pai mais liberal, um pai-amigo-irmão. Me ensinou quase tudo e uma das coisas foi o bom gosto pela música. Ele adorava o Fagner. Ouvíamos este LP quase até "furar". A música que você vai ouvir agora, é uma poesia de Ferreira Gullar que o Fagner musicou. Eu e o Zé a cantamos juntos várias vezes, porque ela descreve a dualidade de todo o ser humano e ele, que era um psicólogo muito competente, adorava tudo que pudesse deixar isso claro. Ele dizia: " ninguém é só um lado, somos frente e verso, avesso e direito." Vamos então traduzir isso nesta canção.






Tenha um dia feliz!

Bjos, :*)  :*)  :*)





segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Querida(o)

Vivemos numa época em que tudo corre o risco de ser banalizado, dado a urgência e a automação que empregamos à vida moderna. Este comportamento pode se tornar uma cilada pois quando algo se torna banal, normalmente perde seu significado, seu real conteúdo, seu real valor. Inclusive o uso de certas palavras. Tive este pensamento a partir de uma palavra que uso muito no dia a dia, mas que infelizmente esta banalizada. Aprendi a usá-la com meu querido e inesquecível irmão Zé. Ele me ensinou quase tudo da vida, só não chegou no tudo porque partiu antes do combinado. Então desde pequena fiquei sabendo que " querida ou querido" é aquele(a) a quem se quer muito, amado. Uma expressão carinhosa que se aplica as pessoas que realmente gostamos e que fazem diferença em nossas vidas. Hoje esta palavra quase perdeu o significado. Eu a vejo sendo usada por muitos indiscriminadamente. Não quero agir assim. Apesar de gostar de escrever, sou de poucas palavras ao falar. Só falo o que sinto, então procuro sempre usar as palavras que irão expressar de maneira correta meus sentimentos. Por conta disso, quero que saibas que quando te chamo de querida(o) estou dizendo que gosto muito de você, de "estar" com você, de brincar com você, de trocar emoções, comentários, fotos, risos, lágrimas e tudo o mais que este espaço me oportuniza. Não o faço por automação. Faço-o de coração.



Bom dia pra nós!

Bjos, :*)  :*)  :*)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Plenitude

O amor pleno tem como base a generosidade, o amparo e a alegria de estar com. Suas principais características são a compreensão, o bem querer e a leveza que torna possível sua sustentabilidade.


Bjos, :*)  :*)  :*)